Temperatura X Resistência

Recebi a algum tempo atrás do Sr Gennaro de São Paulo alguns estatores da PVL e Selettra para rebobinar, com a recomendação que ficassem de acordo com o regulamento da Granja Viana:

PVL medindo 57 ohms com uma variação de 3% para mais ou para menos e SELECTA medindo 67 ohms com uma variação de 3% para mais ou para menos“.

A informação do site da PVL é:

50 Ohms ± 10% aprox. 47.5 – 52.5 Ohms  medidos a 20 graus

Que confere com os valores que meço quando rebobino. Não tenho informação oficial da Selettra. Mas o valor medido em uma Selettra original é de mais ou menos 63 Ohms.

Fiquei sem saber o que fazer, pois se deixasse uma bobina PVL com o número de espiras original, 1850, o valor medido seria próximo a 52 Ohms, se deixasse a bobina com 57 Ohms o número de espiras seria bem superior ao original.

Por coincidencia recebi na semana passada email questionando também o valor do estator da PVL que media um valor maior que 52 Ohms. Depois de esquentar a cabeça tentando descobrir porque valores tão diferentes resolvi testar para ver se era a temperatura que causava a variação já que resistência elétrica de qualquer metal varia com a temperatura e a bobina é feita de fio de cobre esmaltado.

Como teste preliminar medi uma Selettra 61,7 Ohms a temperatura ambiente de 13 ºC (foto 1). Em uma “estufa” improvisada com uma lâmpada esquentei a Selettra por um longo tempo e, BINGO! Mediu 67 Ohms quente. Por ser um teste inicial não registrei a temperatura quando quente.

Para o teste com a PVL  coloquei também um termômetro na “estufa”, anotei a temperatura e a resistência (foto 2) a 21,1ºC, mediu exatamente 50 Ohms com um osciloscópio e multímetro digital Tektronix THS710A que permaneceu fora da “estufa”. Depois de algum tempo a temperatura chegou a 53,2 ºC e a bobina estava com 56 Ohms (foto 3).

Junto com a PVL foi colocado um  multímetro digital (Minipa ET1001) para ver se a leitura variava com a temperatura medindo uma Selettra a temperatura ambiente e comparando com o Tektronix que também permaneceu na temperatura ambiente.

SURPRESA com o Minipa quente deu diferença de 0,3 Ohms comparado com o Tektronix frio, com ambos frios tinha dado uma diferença de 0,2 Ohms, nada mau para um multímetro de baixo custo.

Variação da PVL fria e quente de 50 para 56 Ohms = 12 %. Se por acaso a PVL já estiver na faixa de cima da tolerância,  52,5 Ohms, mais a variação de 12 %  medirá quente 58,8 Ohms.

Acho que está explicado porque os valores que eu meço sempre batem com a informação da PVL, aqui em Curitiba e dentro de casa a temperatura quase sempre está por volta de 20 ºC ou menos.

Como a temperatura da bobina pode variar muito na pista e por outros fatores como, por exemplo, tolerância da resistência do fio de cobre esmaltado, para uma PVL com 50 Ohms e 1850 espiras de fio 33 AWG calculei mais ou menos 74 metros de fio, acho impraticável saber com certeza se um estator rebobinado está com o número de espiras igual a um original medindo com um multímetro.

Então como saber se a bobina está original ou não? Usando um Indutímetro? Medindo a tensão com o motor funcionado? Deixo para os engenheiros, técnicos e curiosos de plantão resolverem  a questão.

Vou fazer mais um teste, medir uma  PVL com o motor frio e depois de umas 10 voltas medir novamente.

Darci Bmikossiski

Obs: Artigo apenas para informação já que não disponho de instrumentos de alta precisão nem de um ambiente controlado.